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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

COMO POSSO EXPERIMENTAR
 DEUS EM MIM ?
 

Que entendemos por experiência? Que é o processo de experimentar? Quando é que dizemos: “tive uma experiência”? Dizemos apenas quando reconhecemos a experiência, isto é, quando existe um experimentador separado da experiência. Isso significa que o nosso experimentar é um processo de reconhecimento e acumulação. Estou sendo claro?

Só posso experimentar quando há o reconhecimento da experiência e reconhecimento é recordação, memória; e a memória é, obviamente, o centro do “eu”. Isto é, todo processo de reconhecimento e de acumulação de experiência é o “eu”, e o “eu” diz, então, “tive uma experiência”. O que é reconhecido e acumulado como experiência é a reação ao estímulo, a resposta ao desafio. Se não reconheço a resposta a um desafio nenhuma experiência tenho. Se vós me desafiais e eu não reconheço o sentido, o significado de vosso desafio, nem reconheço a minha resposta ao mesmo, como posso ter uma experiência? Só há experiência quando eu respondo a um desafio e reconheço a resposta.

Ora, o interrogante indaga: “Como posso experimentar Deus em mim?” Deus, a realidade, ou o quer que seja, é coisa susceptível de experimentar-se, de reconhecer-se, de modo que se possa dizer: “Tive um experiência de Deus”? Evidentemente, Deus é o desconhecido; Deus não pode ser conhecido. No momento em que o conheceis, já não é Deus: é algo auto projetado, reconhecido, isto é, memória. É por esta razão que o crente nunca poderá conhecer Deus; e visto que a maioria de vós crê em Deus, jamais conhecereis a Deus, porque vossa própria crença é um empecilho. 
 
Mas a descrença em Deus, que é outra forma de crença, impede também o descobrimento do desconhecido; porque toda crença é, obviamente, um processo da mente. A crença é o resultado do conhecido. Podeis crer no desconhecido, mas tal crença nasceu do conhecido, é parte do conhecido, que é memória. A memória diz: “Não conheço Deus, Ele algo desconhecido”. Por essa maneira a memória cria o desconhecido, e passa a crer nele como um meio de experimentar o desconhecido.

Deus pode ser objeto de crença? Os sacerdotes, os pregadores, os organizadores de religiões, os bispos, os cardeais, o carniceiro, o aviador que lança bombas — todos dizem “Deus está comigo”. O homem que ganha dinheiro, o homem que explora outros, o homem que acumula riquezas e edifica templos ou igrejas, diz que Deus é seu companheiro. Todas essas pessoas creem em Deus; e sem dúvida sua crença é simples forma de auto expansão, é um conceito próprio. É claro que tais pessoas, aquelas que acreditam nos dogmas organizados, que têm condicionado a mente de acordo com um determinado padrão chamado religião, nunca podem conhecer a realidade final.

Para que o desconhecido venha à existência, a mente precisa estar completamente vazia; não pode haver o experimentar da realidade, porque o experimentador é o “eu”, com todas as suas lembranças acumuladas, tanto conscientes como inconscientes. O “eu”, que é o resíduo de tudo isso, diz: “Estou experimentando”; mas aquilo que ele pôde experimentar é apenas a sua própria projeção. O “eu” não pode experimentar o desconhecido; só lhe é possível experimentar o conhecido, o que foi projetado de si mesmo, a coisa em que crê ou que espera, e que é criação do pensamento como reação do passado. 
 
Uma mente em tais condições, decerto, é incapaz de ficar de todo vazia e, por conseguinte, nunca pode ser livre. Só uma mente livre pode conhecer “o que é” — essa coisa indescritível, que não pode ser expressa em palavras para ser reconhecida por vós ou por mim. Descrevê-la significa cultivo da memória; significa verbalizá-la, situá-la no tempo, e o que é do tempo nunca pode ser o atemporal.

O que importa, pois, não é o que credes ou o que descredes, nem quais sejam as vossas atividades, mas sim, compreender o processo integral, o conteúdo total de vós mesmo; e significa isso estar cônscio momento a momento, sem senso de acumulação. Quando a mente está de todo tranquila, quieta, sem senso de aceitação ou rejeição, para a aquisição ou a acumulação, quando existe esse estado de tranquilidade, no qual o experimentador não existe — só então sentimos aquilo a que podemos chamar Deus, — a palavra não tem importância. E há, nesse momento, um estado de criação, que não é expressão do “eu”.

 
 
 
Krishnamurti 
 
 
 
 
 
 
"Deus criou filhos e filhas no estado espiritual. Criou o que chamamos de "centelhas ou células espirituais" individualizadas do criador, que esotericamente denominamos mônadas. Deus criou um número infinito de mônadas, que são eternas e distintas; habitam o segundo plano de uma série de planos - plano monádico. A mônada, para ter uma experiência no universo material, necessitou de um corpo mais denso - alma ou eu superior, que pudesse habitar dimensões inferiores dentro dos planos de existência. A alma, por sua vez,  para adentrar no mundo tridimensional, careceu de extensões para aqui na Terra executar a tarefa de aprendizado. Através dessa divisão, o objetivo era experienciar o plano físico e a evolução através desse processo". Aqui estamos, desdobrados em várias formas de expressão; quantos véus nos separam da nossa verdadeira essência, que é puro amor; por isso é tão difícil amar, tão longe estamos de 'casa', mas é aqui, nesse fim de mundo, que precisamos reconhecer o que verdadeiramente somos e, à medida que formos caminhando através desses véus, jogando-os para trás, compreenderemos mais facilmente todo o processo. Que Deus nos ajude e nos ilumine em todo o nosso percurso. KyraKally

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