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domingo, 15 de setembro de 2019

INDO MUITO ALÉM 
DO ENTRAVE DA FAMÍLIA


Quando quer que aconteça uma pessoa religiosa em uma família, a fricção começa, porque, para uma família, a pessoa religiosa é a pessoa mais perigosa. A família pode tolerar qualquer coisa, exceto a religião, porque uma vez que você se torne religioso, você não ficará identificado com o corpo.
A família está relacionada ao corpo...

(...) Assim, a família é capaz de tolerar o fato de você ir a uma prostituta. Isso está bem, não há nada de errado — em vez disso, ao contrário, você está se identificando ainda mais com o corpo. Se você se torna um alcoólatra, se você é um bêbado, fica tudo bem, porque você está ficando cada vez mais e mais identificado com o corpo. Não há nada de errado nisso. Mas se você se torna um meditador... isso não é bom. Então, fica difícil porque você está sendo desarraigado. Então a família não mais tem poder sobre você; então, você não mais faz parte da família, porque você não mais faz parte deste mundo.
 
Assim, Jesus diz: "O pai estará contra o filho e o filho estará contra o pai"; e "Eu vim para romper, para dividir, para criar conflito e fricção".

Isso é verdade. Você pode venerar um buda, mas pergunte ao pai do buda — ele estará contra ele. Pergunte aos parentes do buda — eles estão contra ele, porque esse homem saiu fora do controle deles. Não somente isso: ele está também ajudando outros a irem além do controle da sociedade, da família.

A família é a unidade básica da sociedade. Quando você vai além da sociedade, você tem de ir além da família, mas isso não quer dizer que você deva odiá-la — esse não é o ponto —; nem que você deva ir contra ela — esse não é o ponto tampouco. Isso vai acontecer de qualquer jeito. Uma vez que você comece a encontrar a si mesmo, tudo que havia antes vai ficar corrompido, vai haver um caos. Então, o que você deve fazer? Eles vão puxá-lo de volta, eles tentarão trazê-lo de volta, eles farão todos os esforços para conseguir isso. O que fazer então?

Há dois caminhos: um é o velho modo de fugir deles, não lhes dando nenhuma oportunidade — mas eu penso que esse não é mais aplicável. O outro é ficar com eles, mas como um ator: não lhes dê a oportunidade de saber que você está indo para além deles. Ande! Deixe que essa seja a sua jornada interior, mas, exteriormente, preencha todas as formalidades: toque os pés de seu pai e de sua mãe e seja um bom ator.

Um saniássin deve ser um bom ator. Por ser um bom ator eu quero dizer que você não está relacionado absolutamente, mas você continua a preencher as formalidades. Lá no fundo você está desarraigado. E qual é a utilidade de se dar um sinal? — porque, então, eles começarão a tentar mudá-lo. Não lhes dê nenhuma chance. Deixe que isso seja uma jornada interior e, exteriormente, seja completamente formal. Eles ficarão felizes então, porque eles vivem em formalidades. Eles vivem do lado de fora, não precisam de sua devoção interna. Eles não precisam de seu amor interior — basta a amostragem.

(...) Fique onde quer que você esteja. Não crie nenhuma aparência externa mostrando que você está mudando e se tornando um religioso, porque isso pode criar problemas e você, exatamente agora, pode não estar bastante forte. Crie o conflito do lado de dentro, mas não o crie do lado de fora. O conflito interno é mais do que suficiente — ele lhe dará o crescimento, a maturidade necessária.

Osho
http://pensarcompulsivo.blogspot.com
 
 

Uma prisão chamada família

A família está em oposição à sociedade; a família está em oposição às relações humanas como um todo. É como viver uma pessoa numa parte de um grande edifício, num pequeno quarto, e dar exagerada importância a esse exíguo aposento — o lar. A família só tem importância em relação com o edifício todo. Assim como aquele pequeno quarto se relaciona com o edifício inteiro, assim está a família em relação com a humanidade em geral. Mas, nós a separamos e a ela NOS MANTEMOS APEGADOS. Fazemos muito escarcéu em torno da família — meus parentes, vossos parentes — e vivemos empenhados em perpétua batalha. Mas a família é como a pequena alcova em relação com todo o edifício. Quando esquecemos o edifício, em seu todo, o pequeno aposento se torna sumamente importante; assim também se torna sobremodo importante a família, quando ESQUECEMOS O TODO DA EXISTÊNCIA HUMANA. Só tem importância a família, em relação com a totalidade da existência humana; de contrário, converte-se numa coisa terrível, monstruosa.
 
Krishnamurti em, A Suprema Realização 
http://pensarcompulsivo.blogspot.com

A regra de Ouro consiste em sermos amigos do mundo e em considerarmos como uma toda a família humana. (Gandhi)
 

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