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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

A FAMÍLIA É ABSOLUTAMENTE 
CONTRA O ESPÍRITO REBELDE


A família é a causa raiz de todas as neuroses. Nós temos que entender a estrutura psicológica da família, o que ela causa à consciência humana.

A primeira coisa é: ela condiciona a criança a certa ideologia religiosa, a um dogma político, a alguma filosofia, a alguma teologia. E a criança é tão inocente, tão receptiva, tão vulnerável que ela pode ser explorada. Ela ainda não pode dizer não, e mesmo que soubesse dizer não, não diria porque ela é muito dependente de sua família, absolutamente dependente. Ela é tão desamparada que tem que concordar com a família, com qualquer tipo de insensatez que a família queira que ela concorde. A família não ajuda a criança a perguntar; dá-lhe crenças e crenças são venenosas. Uma vez que a criança se torna sobrecarregada de crenças, suas perguntas se tornam enfraquecidas, paralisadas, suas asas são cortadas. Quando ela se tornar capaz de perguntar ela estará tão condicionada que se moverá a cada investigação com um certo preconceito – e com preconceito sua investigação não será autêntica. Você já está carregando uma conclusão a priori; está simplesmente buscando provas para apoiar sua conclusão inconsciente. Você se torna incapaz de descobrir a verdade.

Por isso existem tão poucos buddhas no mundo: a causa raiz é a família. Toda criança nasce um buddha, vem com o potencial para alcançar a suprema consciência, para descobrir a verdade, para viver uma vida de bênção. Mas a família destrói todas essas dimensões; faz dela um ser totalmente plano.

Cada criança vem com uma tremenda inteligência, mas a família a faz medíocre, porque viver com uma criança inteligente é problemático. Ela duvida, ela é cética, ela pergunta, ela é desobediente, ela é rebelde. E a família quer alguém que seja obediente, pronto para seguir, imitar. Por isso desde o início a semente da inteligência tem que ser destruída, quase que completamente exterminada, para que não haja nenhuma possibilidade de algum broto florescer dela.

É por milagre que poucas pessoas como Zarathustra, Jesús, Lao-Tzu, Buddha, escaparam da estrutura social, do condicionamento familiar. Eles parecem ser grandes picos de consciência, mas de fato cada criança nasce com a mesma qualidade, com o mesmo potencial.

Noventa e nove ponto nove por cento das pessoas podem se tornar buddhas — apenas a família tem que desaparecer. Senão haverão cristãos, maometanos, hindus, jainas budistas, mas não Buddhas, não Maomés, não Mahaviras, isto não será possível. Maomé se rebelou contra suas bases e Jesus se rebelou contra suas bases. Estes são todos rebeldes – e a família é absolutamente contra o espírito rebelde.

A humanidade está passando por uma fase muito crítica. Tem que ser decidido se nós queremos viver de acordo com o passado ou se nós queremos viver um novo estilo de vida. Chega! Nós tentamos o passado e seus padrões e todos eles falharam. Já é tempo, amadurecido, de sair fora das garras do passado e criar um novo estilo de vida na terra. Para mim, um estilo alternativo é a comunidade – é o melhor.

 
OSHO
 
 

Krishnamurti diz que A família está em oposição à sociedade; a família está em oposição às relações humanas como um todo. É como viver uma pessoa numa parte de um grande edifício, num pequeno quarto, e dar exagerada importância a esse exíguo aposento — o lar. A família só tem importância em relação com o edifício todo. Assim como aquele pequeno quarto se relaciona com o edifício inteiro, assim está a família em relação com a humanidade em geral. Mas, nós a separamos e a ela NOS MANTEMOS APEGADOS. Fazemos muito escarcéu em torno da família — meus parentes, vossos parentes — e vivemos empenhados em perpétua batalha. Mas a família é como a pequena alcova em relação com todo o edifício. Quando esquecemos o edifício, em seu todo, o pequeno aposento se torna sumamente importante; assim também se torna sobremodo importante a família, quando ESQUECEMOS O TODO DA EXISTÊNCIA HUMANA. Só tem importância a família, em relação com a totalidade da existência humana; de contrário, converte-se numa coisa terrível, monstruosa.

Krishnamurti em, A Suprema Realização
 
 

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