PALAVRAS QUE AJUDAM
Abandone de vez suas pontuações e renda-se com toda sua pecaminosidade ao Deus que não leva em conta nem os pontos,nem aquele que os marca,mas vê em você somente um filho, remido por Cristo.
O que temos a ganhar viajando para a lua se não conseguimos atravessar o
abismo que nos separa dos outros? Essa é a mais importante viagem de
descoberta; sem ela, todas as outras são não apenas inúteis, mas
desastrosas.
Amar é deixar aqueles que amamos serem eles mesmos e não tentar moldá-los segundo nossa própria imagem. Caso contrário, amaríamos apenas o reflexo de nós mesmos.
Resigne-se de sua insuficiência e reconheça sua insignificância para o
Senhor. Quer você entenda isso, ou não, Deus o ama, está presente em
você, vive em você, habita em você, chama você, salva você e lhe oferece
entendimento e compaixão que não se compara a nada que você algum dia
tenha encontrado num livro ou ouvido num sermão.
A Graça nos é dada com o fim específico de capacitar-nos a descobrir e
realizar nosso si-mesmo mais profundo e mais verdadeiro. Enquanto não
descobrirmos este si-mesmo profundo, que está escondido com Cristo em
Deus, nunca nos conheceremos realmente como pessoas.
É a fé, e não a imaginação, que nos dá a vida sobrenatural; a fé é que nos justifica; a fé é que nos conduz à contemplação. A fé penetra no intelecto, não através dos sentidos simplesmente, mas por uma luz infusa diretamente pela ação de Deus.
Jamais poderei encontrar-me se me isolar dos demais homens como se eu fora uma espécie diferente de ser.Tenho de procurar minha identidade de algum modo, não só em Deus, mas também nos outros.
O temperamento não predestina um homem à santidade e outro à reprovação.
Todos os temperamentos podem servir de material para a ruína ou a
salvação. Temos de aprender a ver como nosso temperamento é um dom de
Deus, um talento que devemos fazer valer, até que ele venha. Não importa
até que ponto somos dotados de um temperamento difícil ou ingrato. Se
fizermos bom uso do que temos, se disso nos utilizarmos para servir
nossos bons desejos, podemos conseguir mais do que alguém que apenas
serve seu temperamento em lugar de obrigá-lo a servi-lo.
Não existimos para nós mesmos, como se fôssemos o centro do universo, e é
somente quando estamos plenamente convencidos deste fato que começamos a
amar a nós mesmos adequadamente e, assim, a amar os outros. O que quero
dizer com nos amarmos adequadamente? Quero dizer, em primeiro lugar,
desejar viver, aceitar a vida como uma dádiva muito importante e um
grande bem, não por causa do que ela nos dá, mas por causa do que nos
permite dar aos outros.
O amor é o nosso verdadeiro destino. Não encontramos o sentido da vida
sozinhos, e sim com outro. Não descobrimos o segredo de nossas vidas
apenas por meio de estudo e de cálculo em nossas meditações isoladas. O
sentido de nossa vida é um segredo que nos tem de ser revelado no amor,
por aquele que amamos. E, se esse amor for irreal, o segredo não será
encontrado, o sentido jamais se revelará, a mensagem jamais será
decodificada. No melhor dos casos, receberemos uma mensagem embaralhada e
parcial, que nos enganará e confundirá. Só seremos plenamente reais
quando nos permitir-nos amar – seja uma pessoa humana ou Deus.
O eu interior é tão secreto quanto Deus e, como Ele, escapa a todo
conceito que pretenda captá-lo completa e totalmente; é uma vida que não
pode ser tomada e estudada como um objeto, porque não é 'uma
coisa'. Tudo que podemos fazer, por meio de qualquer disciplina
espiritual é produzir em nós mesmos algo do silêncio, da humildade, do
desapego, da pureza de coração e impassibilidade, que são elementos
necessários para que o eu interior nos dê uma tímida e imprevisível
manifestação de sua presença.
Hoje, mais do que nunca, o homem aprisionado está buscando sua
emancipação e sua liberdade. Sua tragédia é que ele busca a liberdade
por meios que o levam a uma escravidão ainda maior. A liberdade é uma
coisa espiritual, uma realidade sagrada e religiosa, cujas raízes estão
em Deus e não no homem, pois a liberdade do homem, que faz deste mundo
imagem de Deus, é uma participação na liberdade de Deus. O homem é livre
na medida em que é semelhante a Deus.
Por mais decadentes que pareçam o homem e o mundo e por mais terrível
que se torne o desespero humano, enquanto o homem continuar a ser homem,
é sua própria humanidade que continuará a dizer-lhe: a vida tem um
sentido. Essa é, de fato, uma das razões pelas quais tende o homem a
rebelar-se contra si mesmo. Se ele pudesse ver sem esforço o sentido da
vida e chegar sem tropeço ao seu fim, jamais discutiria o fato de que a
vida bem vale ser vivida.
Quando a sociedade humana cumpre a sua verdadeira missão, as pessoas que
a formam crescem cada vez mais em liberdade individual e integridade
pessoal. E quanto mais o indivíduo desenvolve e descobre os secretos
poderes da sua incomunicável personalidade, tanto mais contribuirá para a
vida e para o bem-estar do conjunto. A solidão é tão necessária à
sociedade como o silêncio à linguagem, o ar aos pulmões e o alimento ao
corpo.Uma comunidade que tenta invadir ou destruir a solidão espiritual dos
indivíduos que a compõem, condena-se à morte por asfixia espiritual.
O deserto foi criado simplesmente para ser o que é. É o lugar lógico de
habitação para o homem que não procura outra coisa senão ser ele próprio
- isto é, uma criatura solitária e pobre, dependendo unicamente de
Deus, sem nenhum grande projeto que se interponha entre ele e seu
Criador.
Não sabemos perdoar verdadeiramente enquanto não tivermos experimentado o
que seja ser perdoado. Portanto devemos alegrar-nos de podermos receber
o perdão de nossos irmãos. É esse perdão mútuo que manifesta em nossa
vida o amor de Jesus por nós, pois, perdoando-nos mutuamente, agimos uns
para com os outros como Ele agiu para conosco.
Não vamos para o deserto com o intuito de fugir das criaturas e sim para aprender como encontrá-las. Não nos separamos delas com o fim de não mais nos interessarmos por elas, mas para encontrar o melhor modo de lhes fazer bem.
Thomas Merton
https://www.pensador.com

Nenhum comentário:
Postar um comentário